E do fundo do meu coração
Eu só espero que a falta do amor não o faça uma lembrança constante
Querer estar longe, desistir, resistir - a comoção chega a ser tocante
Continuo a levar o romance adormecido na esperança de um dia o encontrar
Amor, faça de mim sua companheira fiel
Eu só peço a Deus que me diga a hora certa de acordá-lo
Pois eu não aguentaria novamente sua forma mais cruel
Durma enquanto ainda é tempo
Faça do meu coração um lugar puro, lindo, certo
Não me crie tetos
No raso do meu coração
Eu busco em qualquer sorriso um jeito de amar algum desconhecido
Mas no fundo dele
Eu o mantenho adormecido, aquecido
Até que de novo eu venha cair no que chamam de amor, um velho conhecido
Para/sobre Juliana
terça-feira, 28 de abril de 2015
domingo, 12 de abril de 2015
Cativou, disse alguém
Meus pés latejavam no sapato já pequeno, coisa que eu jamais admitiria em público. Sai da faculdade e tive que andar até o ponto mais próximo. Corri pra pegar o ônibus ainda no ponto. Fiquei feliz de encontrar um lugar próximo à porta. Assim que sentei, um senhor de cabelos brancos e roupa esportiva entrou e eu ofereci o lugar. Ele sorriu da maneira mais linda que eu já vi e disse que não precisava. A conversa continuou com ele exaltando minha gentileza e nobreza; eu sorri, agradecendo. Nossa conversa foi interrompida pela entrada de uma senhora, parecia bem mais velha que o senhor, e era. De novo, eu cedi meu lugar. A menina que estava sentada do meu lado seguiu fazendo o mesmo, dando lugar a outra senhora. Foram chuvas de elogios ao futuro desse país. Nos vimos conversando como amigos.
Ele foi cativante com seus questionamentos ao desleixo da saúde publica, suas informações sobre a Zona Sul e as descrições detalhadas das brincadeiras dos netos. Quando me dei conta já havia mais cinco pessoas na conversa iniciada. Ele ria a cada sorriso das pessoas a sua volta, sempre iniciava uma história quando a última acabava e tinha um bom humor invejável. Foram os melhores quarenta minutos do dia pra mim e pra todas aquelas pessoas. O ônibus foi enchendo e eu me afastei da conversa. Ainda sim, sorria sozinha escutando as gargalhadas em coro e vendo aquele senhor conquistar o espaço.
Quando chegada à estação final e todos deveriam descer, ele me dirigiu a palavra e esperou todos os que estavam à minha frente sair. Ele disse:"Vai na frente florzinha, agora, eu faço questão." Eu sorri tentando ser tão cativante quanto ele, aposto que não consegui, e agradeci com tudo em mim.
Não sei o nome de ninguém ali, talvez nunca descobrirei. Mas tudo o que aconteceu me deu esperança de um amanhã melhor. Se qualquer dia ler isso aqui, saiba que suas palavras e histórias mudaram minha visão de mundo; e por isso, serei eternamente grata.
sábado, 4 de abril de 2015
A verdade não dita
A verdade não
dita é que eu ainda quero que você me queira. Passei anos tentando entender o
que fez você me desprezar e culpando cada centímetro meu que não pensava do seu
jeito. Afinal, seus pensamentos, desejos, visões e argumentos são sempre os
certos. E os meus, os errados. Compartilhar deles significava ser uma pessoa
com muitas opiniões formadas e nenhuma capacidade de ser convencida;
significava defender seus ideais a qualquer custo mesmo que fosse através da
violência, mas principalmente significava ser arrogante demais pra perceber que
existem coisas maiores do que ganhar uma discussão. Durante tempo demais eu validei esse seu
patamar e me submeti a todo tipo de questionamento. Entretanto, fico feliz em
dizer que eu sou e sempre serei diferente de você.
Lembro-me de
dedicar a você os melhores trechos de crônica que já foram escritos e de
remeter a você as melhores estrofes já cantadas; mas creio eu agora, que todos
esses versos e letras tinham total discrepância com a realidade. Talvez, eu
tenha exagerado, como sempre é dito, ou talvez, não. A capacidade de vislumbrar
o que não existia foi-se; ou pelo excesso dela ou pelo costume que têm de reprimi-la.
No entanto, fico feliz em dizer que eu sou e sempre serei diferente de quem eu
era.
A verdade não
dita é que depois dessa reflexão eu já não quero mais que você me queira. Que
os anos passados tentando entender sejam atropelados pela infinita compreensão.
Que a aprovação que eu um dia busquei em você seja dada por outros, ou até por
ninguém. Que às vezes, mas nunca sempre, meus argumentos sejam válidos,
concretos e quem sabe, certos. Que eu seja aberta as opiniões alheias e que
seja sempre sabia nas futuras discussões, entendendo que as pessoas importam
mais, talvez, mais até do que eu. Que eu saiba o meu lugar no mundo e que o
aceite. Fico feliz em dizer que as minhas premissas agora são verdadeiramente
minhas e que farei o impossível para que elas continuem assim.
segunda-feira, 30 de março de 2015
Na ponta do nariz
Não existe nada mais lindo do que guardar seu coração
São muitos os desafios lançados
Pouco o tempo de cuidado
Mas que o amor, pelo que é certo, possa ser ação
Num mundo sem quase privilégios
Temos sempre o direito à escolha
E essa é a maior dádiva que podemos imaginar
Que possamos ter alegria em acertar
Que se torne rotina a via desse jeito; viver como uma folha
Fina, grande e principalmente em branco
Metáfora melhor para vida não há
Traga em si, um coração que a cada amor nunca tenha amado tanto
Economize palavras e transmita seus sentimentos no olhar
Para mim, eu escolho a alegria em viver
Que baste o crer para ser feliz
E a ternura que traz um pingo de sol da manhã na ponta do nariz
São muitos os desafios lançados
Pouco o tempo de cuidado
Mas que o amor, pelo que é certo, possa ser ação
Num mundo sem quase privilégios
Temos sempre o direito à escolha
E essa é a maior dádiva que podemos imaginar
Que possamos ter alegria em acertar
Que se torne rotina a via desse jeito; viver como uma folha
Fina, grande e principalmente em branco
Metáfora melhor para vida não há
Traga em si, um coração que a cada amor nunca tenha amado tanto
Economize palavras e transmita seus sentimentos no olhar
Para mim, eu escolho a alegria em viver
Que baste o crer para ser feliz
E a ternura que traz um pingo de sol da manhã na ponta do nariz
terça-feira, 17 de março de 2015
Amor utópico, amor real
Que o amor
seja real enquanto dure; e se for pra sempre, que ainda sim seja verdade. Eu repito
a mim mesmo sempre que posso. Eu nuca pude prometer nada mais que o presente,
na verdade, ninguém pode. Na maioria das vezes, acha-se que o romantismo afasta
a realidade das pessoas. Bom, talvez, force-as um pouco a acreditar
utopicamente nas coisas, mas, num mundo tão cheio de contradições eu prefiro
acreditar no que é bonito. Mesmo que isso signifique nem sempre estar certa.
Gosto de pensar que existe a possibilidade de um mundo melhor e acreditar nisso
me ajuda a melhorar por ele.
Fiquei pensando em um dos vídeos mais
lindos que havia visto recentemente: Depois de quase quarenta anos, uma carta
de amor é devolvida ao dono. O senhor foi casado durante 63 anos e escreveu
aquela carta ainda no tempo da Segunda Guerra. Chorei rios o vendo relendo aquela
carta. A resposta de tudo sempre foi amor, sempre será. Como é difícil amar sem
barreiras em um mundo tão cheio delas. Perde-se tanto tempo criticando e
apontando o que é errado, sem que haja o menor interesse em tentar ajudar.
Todos os dias de manhã, eu peço a Deus que cubra a minha vida de um amor sem
limites. Um amor capaz de comover a todos por estar acima de qualquer critica.
Eu peço porque acredito que Ele é
o único capaz de espalhar esse tipo de sentimento, tão puro, entre nós. Que o
amor nos permita fazer o que é correto, e esse é um tipo de objetivo pra vida
toda. Então, viva o amor, o único que
pode transformar esse mundo tão cheio de raiva e desigualdade.
“pois, estamos tendo o cuidado de
fazer o que é correto, não apenas aos olhos do Senhor, mas também aos olhos dos
homens.”
2
Coríntios 8:21
segunda-feira, 9 de março de 2015
Quase um pleonasmo
Balancei no balanço para esquecer
Do mundo que ninguém quer ver
Olhei as flores ao redor
Para esquecer todas as outras; murchas, sem dó.
Encontrei paz no movimento
Para fugir de um mundo acomodado
Tentei congelar o momento
Para esquecer todos os outros que pelo tempo são levados.
Balancei no balanço para lembrar
Que nunca se deve esquecer o amor
Olhei o céu azul
Para nunca esquecer dos dias com aquela cor
O futuro sempre será um mistério sem fim
Mas que sempre seja como aquele balanço
Do mundo que ninguém quer ver
Olhei as flores ao redor
Para esquecer todas as outras; murchas, sem dó.
Encontrei paz no movimento
Para fugir de um mundo acomodado
Tentei congelar o momento
Para esquecer todos os outros que pelo tempo são levados.
Balancei no balanço para lembrar
Que nunca se deve esquecer o amor
Olhei o céu azul
Para nunca esquecer dos dias com aquela cor
O futuro sempre será um mistério sem fim
Mas que sempre seja como aquele balanço
terça-feira, 3 de março de 2015
Enviados
Querido Leonid Afremov,
Por algum motivo qualquer me
inscrevi no seu site de vendas. Era algum jeito de me lembrar do que eu não
poderia ter, ou talvez, alguma forma de apreciar suas lindas pinturas no caos
de um dia agitado ou na acomodação de um tranquilo. Entretanto, nesse exato
momento é desagradável receber seus constantes emails tão sugestivos e que se iniciavam
com uma saudação mais afetiva do que a esperada. Seus
quadros ainda são lindos e seu jeito de pintar continuava a me conquistar
diariamente, mas, esses emails me tentam de uma maneira sem igual. Lembro-me de
na primeira semana tentar comprar três quadros diferentes e desistir na última
etapa do processo.
Nunca fui do tipo que compra
coisas pela internet; gosto do aspecto físico e gosto de lidar com pessoas. Também
nunca comprei quadros. E aqui estou eu, mais uma vez na semana, admirando o
maravilhoso preço de sessenta dólares para uma de suas pinturas. Eu mostrei
para todas as pessoas, sem parar; passei a ser uma divulgadora da sua arte. A arte
da conquista se passa da seguinte maneira: Despretensiosamente, mostra-se uma
das obras de suas obras para uma pessoa qualquer e esperam-se os elogios
seguintes, comuns. Logo depois, se apresenta o site e a tal pintura de sessenta
dólares. Leonid, meu caro amigo (como gosta de se intitular), se algum dia
estiver a ler isso, saiba que fui responsável por metade do seu lucro na América
Latina. Saiba também que fiz isso sem
comprar nenhum quadro da sua autoria.
Provavelmente, sempre serei do
tipo que não compra na internet, principalmente quadros de artistas
internacionais. E provavelmente, continuarei a reclamar dos constantes emails
que você manda, por mais que eu tenha o poder de me livrar deles. Na verdade, o
que posso dizer, é o prazer tentador de seus quadros.
Com toda admiração, da sua fã mais paradoxal,
Clarissa
Reis. sábado, 21 de fevereiro de 2015
Flâneur
Meu celular
despertara uma hora antes do necessário, talvez tivesse sido prova da minha
constante falta de atenção. Coisas do tipo me faziam questionar minha lucidez.
Comecei a caminhar pelas ruas de uma cidade adormecida recentemente. Não sabia
o motivo ainda, nunca gostei de caminhar e preferia uma boa noite de sono a uma
vida saudável. Mesmo assim, continuei caminhando. A maioria das lojas estava
fechada, os carros ainda não faziam tanto barulho e eu vagava sozinha pelas
calçadas menos habitadas. Andei três quadras e parecia não pensar no caminho de
volta porque continuei. Passado um tempo, eu senti um cheiro maravilhoso de pão fresco, daqueles
saídos do forno. Geralmente não havia tempo para pão na minha vida, eu acordava
tão atrasada que mal tomava um café. Mas hoje não, hoje tudo era diferente.
Persegui o cheiro arrasador até exatos oito quadras da minha casa. Era uma
padaria simples; tinha apenas um balcão ao fundo, e três mesinhas no máximo.
Sentei-me em
uma delas; um rapaz sonolento e meio confuso com a minha presença veio
perguntar meu pedido. Eu sorri do modo mais cativante que pude e disse-lhe o
que queria. Ele anotou de modo seco e disse que já traria; continuei com o
mesmo sorriso e lhe disse obrigada, só estava com ciúmes da minha disposição, coisa
que eu estaria daqui a alguns dias. Olhei meu relógio e ainda faltava muito pra
hora da faculdade, tornei a olhar as pessoas na rua. Havia um homem de bigode engraçado
e de camisa de corrida; ele corria. Também havia uma senhora que tentava a todo
custo atravessar a rua, mas, era impelida, ora por seu cachorro, ora pelo trânsito.
Eu ri. O rapaz voltou trazendo exatamente o que eu pedi; eu sorri mais uma vez,
na esperança de tê-lo retribuído. Ao invés disse recebi um frio “quer mais
alguma coisa”. Uma água, eu disse. Nesse instante eu pude perceber as marcas de
fadiga em suas costas mal posicionadas e suas olheiras profundas de uma noite
mal dormida. Não sorri mais, tentei transparecer em meu olhar toda a
compreensão possível e toquei em sua mão.
Ele parou um
instante assustado e sorriu pra mim saindo em seguida. Fiquei feliz com aquele
gesto, me pareceu sincero. Fiquei agradecida pelo meu dia flâneur, por poder reparar
nas pessoas mais do que elas dizem. Em seguida, ele me trouxe a água e a conta;
eu paguei. Quando eu estava indo percebi um papel colado no fundo da garrafa
que dizia numa escrita simples, um obrigado. Saí daquele lugar tendo certeza de
que faria aquilo por muitos mais dias.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
De algum jeito é possível
Se de algum jeito isso é
possível, acordei com uma vontade imensa de sentir a brisa do mar. Olhar um por
do sol quente, laranja e distante, que levasse consigo as fatídicas recordações
de uma vida de privações. Não que fosse uma reclamação, aprendi por meio delas
e me tornei bem mais do que achei que seria. Eu queria que aquela vontade se
transformasse num dia memorável, em que apenas a minha presença e o som das
ondas batendo fossem o suficiente. Olhei
o amanhecer enquadrado na janela do quarto e me privei mais uma vez da
realização de um desejo. Cheguei à estação ainda em tempo de ver um senhor de
terno preto e bigode num tom de grisalho que acabara de pisar numa enorme poça
de água acumulada. Seus sapatos e a metade de sua calça ficaram completamente
molhados. Ainda percebi quando voltou do caminho que veio, provavelmente atrás
de uma muda de roupa, esbravejando contra o que só podia ser sua falta de
atenção. No geral, é no mínimo um
despertador de estranheza quando nos vemos em um dia atípico, mas, ultimamente,
me sentia ainda mais presa quando a rotina me alcançava. Dias assim nos fazem
pensar nas nossas decisões e na tendência de se deixar esvair aos poucos.
Sentia-me
complexa naquela manhã, de um modo negativo. Meus pais são pessoas simples, do
tipo que guardam documentos importantes na gaveta da sala; ao mesmo tempo são
pessoas boas, do tipo que abdicam de coisas em prol da paz. Não havia certeza alguma
na complexidade, parecia o tipo de adjetivo que sufoca todos os outros e eu
queria ser mais, precisava ser mais. Então era meio óbvio que antes de tudo
deveria tentar, ao menos, ser simples e a brisa do mar parecia um bom jeito de
começar. Entretanto o caminho do trabalho me fez pensar nele e na agenda do
dia. Existiam reuniões, planejamentos e estatísticas. Não havia muitos
arrependimentos em relação ao que eu havia escolhido, no momento só me lembrava
de um: não haver tempo algum para admirar o sol de sempre dar lugar à lua de
sempre.
Peguei um
lugar no meio da grande mesa enquanto a reunião já começava e ouvi o
palestrante dizer um cumprimento tão amargo quanto o café que eu tinha na mão.
“A perspectiva da empresa diante da crise financeira” era o tema e eu deveria
estar participando mais do que estava. Anotava no meu caderno a letra da última
coisa que ouvira no caminho, tentando disfarçar minha indiferença à discussão
que se seguira. O sol entrou entre as frestas de uma cortina que tentava a todo
custo manter a escuridão e me tocou na sua mais profunda fineza de espírito. Eu
me levantei, tomei minhas coisas pela mão e joguei toda a amargura fora,
inclusive o café. Fui atrás da minha brisa do mar.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Run, Baby, Run
Corria, sem parar um segundo. O esforço, nunca antes feito, tirou de mim os últimos suspiros saudáveis do momento; chiava a cada passo, a cada respiração me via cair de desespero. Corria, sem olhar para trás. Não que eu pudesse ver meu perseguidor mas, o sentia em cada acelerada. Tropecei, cai, chorei. Quando abri os olhos, não havia ninguém lá, não havia nada lá. Cai de novo, no vazio dos meus pensamentos dessa vez. Era um sonho. Levantei correndo, estava atrasada. Tomei banho, café e saí. No caminho, tudo o que eu conseguia pensar era num texto lido em um lugar qualquer: " Cheguei a pensar que era falta de romantismo meu, ou talvez desamor, mas descartei as duas hipóteses. Sempre fui sentimental e nunca levei adiante relações que não estivesse emocionalmente envolvida, e por mais que eu pareça durona, é apenas fachada." Apenas fachada era a bola da vez. Estava triste e talvez realmente sofresse de desamor; falta de amor próprio. Os outros não precisam de um problema a mais e desde que estivessem bem não havia porquê ser uma pessoa que se compartilha. Corri atrás do ônibus, esse era o verbo da vez. Entrei e dei um "bom dia" compatível com meu humor ao trocador, ele respondeu no mesmo tom.
Sentei-me perto da janela, os raios de um Sol acolhedor me alcançaram. O céu azul era palco de uma manhã incrivelmente linda. A paisagem da viagem de sempre, por algum motivo, era diferente e o vento soprava fraco e quente, como o respirar. Respirei, inspirei como nas aulas de ioga abandonadas e pela primeira vez na manhã tive paz. Lembrei-me então de ser grata e guardar meus ressentimentos tão pequenos diante da grandeza do Criador. Uma senhora sentou ao meu lado e eu lhe dei "bom dia", compatível com meu humor. Ela sorriu e respondeu no mesmo tom. Tornei a encarar a janela e fiquei envolta numa calmaria sem medida. Respirei, inspirei e tive paz, mais uma vez. Fechei os olhos, dormi. Sonhei que corria, não mais de alguém. Corria para alguém, que com os braços abertos me esperava com o sorriso mais puro antes visto. Eu queria tanto chegar em seus braços, queria tanto estar naquele abraço. Corri mais rápido, mas, caí. Levantei, seus braços ainda estavam imóveis, andei, acordei.
"Desculpa te acordar filha, mas, chegamos ao ponto final". A senhora dizia com o mesmo sorriso de antes. Eu agradeci com toda ternura possível e ouvi a frase passar de novo pela minha cabeça. "Você disse ponto final?", droga pensei. Saí do ônibus, corri.
P.S: Segue o link da música que inspirou o titulo do conto, da Sheryl Crow:
https://www.youtube.com/watch?v=KzTMN-S1tbs
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